Andrea Peruzzo é uma profissional que estuda e trabalha para o desenvolvimento da espécie humana. Vamos juntos, para conquistar um pouco mais de conhecimento.

Nós da APVIDA acreditamos que precisamos nos preparar diariamente para todas as decisões que você tem com a vida e que a vida tem para você sem te perguntar se gosta ou não de algo.

Como faremos o preparo para ir além da sobrevivência? Podemos estudar mais, nos disponibilizar a viver sem repetir padrões, cuidar dos nossos campos de vida atual e também da nossa saúde mental, todos os dias, sempre.

Morte encefálica

O diagnóstico de morte encefálica é a completa e irreversível parada de todas as funções do cérebro. É uma condição permanente e irreversível. Tudo que poderia ser feito por aquele cidadão foi feito ou não, mas com o diagnóstico de morte encefálica isso já não importa. Ele morreu.

A maioria dos doadores aptos sofreram acidentes, que a condição traumática evoluiu para óbito. É claro que nem todo serviço médico especializado para resgate funciona 100%, em tempo absoluto, mas isso é assunto para outra conversa, e essa reflexão no momento da decisão de doar ou não doar, só confunde mais.

Eu acredito que o serviço de atendimento a traumatizados pode melhorar todos os dias e é para isso que a equipe estuda, treina e se dedica. Eu defendo os socorristas de plantão. Eles estão atentos e preparados quando muitas vezes nós não olhamos para nossa segurança daquele momento.

A pessoa que morreu só precisa de paz e a família que fica precisa do tempo de luto. Você entende que nem o falecido nem o familiar precisa do fígado? Então, se preencha de amor incondicional e doe.

A legislação para doação Post Mortem

Toda legislação criada, modificada e evoluída teve o objetivo de aumentar o número de doadores de órgãos, promover a ética médica e diminuir a fila de pessoas que aguardam por um órgão.

A lei foi criada em 1997 e rege a doação de órgãos no Brasil até os dias atuais. Passamos por mudanças importantes e a que mais vale é o entendimento de que a família do doador tem o poder de decidir se os órgãos serão doados ou não.

Mesmo que você documente a sua vontade pela doação, quem decidirá sobre o assunto são os que ficam, ou seja, os vivos que estão diretamente envolvidos no início do luto, normalmente o pai, mãe, esposa (o) e filhos.

Incentivo à doação de orgãos

A data de comemoração e incentivo à doação de órgãos é 27 de setembro. Nesta data, são realizadas, em todo o País, ações que buscam conscientizar a população sobre a importância do ato de doar.

Veja bem, aprender a doar é um exercício diário. Em minha verificação, a data em si no calendário não é o suficiente. O necessário e mais importante é uma conscientização sistêmica sobre o que é a vida e a fragilidade do nosso corpo biológico.

No final das contas, o nosso corpo só está a serviço da nossa missão de vida. Então, se não há mais vida, que se libere os órgãos da melhor maneira.

Agora leia a frase de incentivo do Ministério da Saúde:

 “Viver é uma grande conquista. Ajude mais pessoas a serem vencedoras”,

GENTE, a pessoa acabou de morrer e você diz ¨Viver é uma grande conquista”, tem alguma coisa errada nesse romantismo. Não é verdade?

“Sua vida acabou então libere seu corpo da melhor forma sem querer nada em troca.” Essa é a minha campanha.

Como seria o movimento adequado pela visão sistêmica?

É importante apoiar a condição do pensamento no momento da decisão sobre a doação de órgãos nos seguintes pilares:

  • Nas reações físicas de Ação e Reação – Terceira lei de Newton;
  • Nos princípios sistêmicos de Ordem, equilíbrio e pertencimento;
  • Regras de sobrevivência da nossa espécie como: Ame o próximo como a ti mesmo, entendendo aqui exatamente que só damos o que temos dentro.

Você consegue entender essas teorias na prática da doação de órgãos Post Mortem dessa maneira: tudo que eu faço retorna para mim na mesma intensidade, direção e em sentido oposto.

Se a família autorizar a doação no movimento de tragédia, no mesmo instante de tempo a tragédia retornará à família novamente. Essa família que está com a mente comandada pela dor, sentirá mais dor.

SE a família liberar a doação no amor incondicional, é espetacular! Ela decide dar os órgãos sem querer nada em troca e então uma mágica matemática acontece!

Dor do Luto x nada de reação = nada de dor do luto. Matematicamente, o zero é um elemento NEUTRO. Ele é o NADA. Então, se a minha reação é dor x nada, eu ficarei mais leve com o NADA, entende? Se a família tiver a capacidade amorosa de liberar quem ama, teremos o luto de forma leve e isso é AMOR.

A ordem

Quem veio primeiro, tem prioridade. Tem prioridade ao órgão o cidadão que nasceu com ele. Em seguida, aparece a família de origem do mesmo.

Quem veio depois da família é o receptor do órgão doado. Ele NÃO tem prioridade de escolha, me entende, ele precisa ser cuidadoso após o recebimento.

Não se deve criar de expectativas em cima do receptor como: “Quem bom que recebeu um novo fígado! Agora vai poder trabalhar e ter mais responsabilidades.” NÃO NÃO, isso não é possível.

A busca pelo equilíbrio

No momento em que a família decide pela doação ela se torna maior e mais poderosa que a família receptora. Existe um tempo para que essa família receptora e, principalmente o indivíduo que recebeu o órgão, possa concordar com o “presente” recebido. Também leva-se um tempo para que o receptor possa se apoderar e mais um pouco ainda para ele reunir forças de fazer o bem ao próximo na mesma proporção que ele recebeu.

A pessoa que recebeu um novo rim, por exemplo, não tem, naquele exato momento, forças para sair de casa cantarolando: Recebi um rim “novo”, agora farei só o “bem”. Esse tipo de cobrança é uma tragédia e isso é um dos principais motivos do suicídio pós transplantes.

DEIXEM o receptor em paz, talvez ele demore 10 anos para conseguir equilibrar com o universo e seus companheiros de planeta, o bem recebido. Se você cobrar que a pessoa se torne melhor e mais grata, você estará desenvolvendo o ódio.

O pertencer

O órgão só poderá viver em outro organismo caso a relação entre as duas famílias esteja em ordem e equilíbrio, leia novamente os textos acima, eles te ajudarão muito.

Eu, você, ele, todos nós só pertencemos a relações ordenadas e equilibradas. Tirando isso encontramos apenas as ilusões e derivados de doenças mentais e sociais.

E o mais importante, entenda que nós só damos o que temos dentro. O morto só tem morte dentro, a FAMÍLIA desse ente querido pode SIM liberar todos os órgãos para doação no amor e na paz, sem multiplicar a dor.

Decida! Se você tem condições de liberar os órgãos do seu amado parente que foi a óbito e foi diagnosticado com morte encefálica, não queira nada em troca. Libere os rins, fígado, coração, pulmões, córneas, ossos, pele e tudo que for possível! Da camisa favorita ao corpo biológico, por amor, na paz. VOCÊ PODE.

 

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